A Cordilheira do Espinhaço nos reserva, além de belíssimas paisagens e surpresas, múltiplas opções de interação com a natureza, dentre as quais se destaca uma grande variedade de caminhos e trilhas, que variam de acordo com as características do solo, da vegetação predominante, da distância e tempo médio de percurso e, entre outros fatores, do nível de esforço exigido do caminhante. Ficar atento às recomendações e respeitar a natureza são pré-requisitos importatíssimos para quem pretende se aventurar com segurança e desfutar ao máximo dos encantos que a Cordilheira do Espinhaço oferece.
Leia atentamente o "Termo de Conhecimento de Risco" disponibilizado pela Associação Montanhas do Espinhaço e esteja ciente das suas condições de saúde, do seu condicionamento físico e eventuais limitações. A entrega do Termo de Conhecimento de Risco preenchido é imprescindível para a participação no projeto.
Nunca deixe de ler também a "Ficha Técnica" de cada caminhada, disponibilizada dias antes das saídas a campo, assim como o "CheckList de Equipamentos Individuais" e demais orientações contempladas nos respectivos documentos.
ROUPAS E CALÇADOS
01. Esteja atento às recomendações de vestuário e acessórios de uso pessoal presentes nos documentos disponibilizados pela Associação antes das saídas ao Espinhaço.
02. Use sempre roupas e calçados e adequados. Uma bota com sulcos na sola, por exemplo, pode evitar escorregões e quedas. Nunca deixe para estrear um tênis ou calçado novo no dia da caminhada. Meias especiais para caminhadas ou meias grossas de algodão podem evitar bolhas e pequenos machucados. Outra dica é levar sempre um par de meias adicional para trocá-las em caso de travessias de rios, córregos e áreas úmidas ou em caso de chuvas ao longo do trajeto.
03. Camisa ou camiseta com manga, calça de tecido resistentes a abrasão e boné ou chapéu são itens de vestuário indispensáveis aos caminhantes. Camisetas de algodão ou lã, que permitem uma melhor transpiração, calças resistentes e calçados fechados tornam a caminhada mais confortável e evitam contra-tempos. Durante o inverno e em dias frios, opte por casacos leves e impermeáveis. Se a trilha passar por áreas de mata fechada, o uso de calças de malha ou cotom, no caso das mulheres, é recomendável.
04. Em determinados trechos ou em trilhas específicas, a fim de evitar imprevistos e incidentes, o uso de perneiras pode se fazer obrigatório a todos os caminhantes.
ALIMENTAÇÃO E HIDRATAÇÃO
01. Opte em levar para a trilha alimentos energéticos e de pouco peso e volume, tais como: frutas frescas ou secas, biscoitos, sanduíches naturais, barras de cereais, granolas, nozes ou outros compostos de grãos secos.
02. Nunca inicie uma caminhada em jejum. Por serem ricas em fibras e terem carboidratos de baixo índice glicêmico, as frutas são alimentos altamente recomendados para antes e durante as caminhadas.
03. Beba, no mínimo, dois litros de água por dia. Leve uma garrafa plástica ou cantil e o encha sempre que achar água potável. Em trilhas de longo curso ou duração, recomenda-se levar produtos purificadores de água.
04. Nem sempre riachos e cachoeiras têm águas puras para beber. Bicas que nascem em montanhas, acima das pastagens, normalmente são de boa qualidade, porém sempre é bom ficar atento à qualidade da água.
05. Lembre-se que a hidratação é importante antes, durante e após a caminhada. Não espere ficar com sede para beber água, a sede pode ser considerada o primeiro sinal de desidratação. Em longas trilhas, a ingestão de bebidas isotônicas e/ou água de coco pode ser recomendada, pois o potássio e o sódio contidos nelas ajudam a diminuir o tempo de fadiga.
PROCEDIMENTOS DE SEGURANÇA
01. Mantenha-se, sempre que possível, nas trilhas pré-demarcadas. Os atalhos favorecem o desmatamento da cobertura vegetal do solo, dando oportunidade à intensificação de processos erosivos no local.
02. Não quebre ou corte sem necessidade galhos ou ramos de árvores ao longo da trilha. Não leve pedras, conchas, plantas ou qualquer outro tipo de “lembrança” do percurso. Guarde as emoções e momentos especiais vividos na caminhada apenas na memória ou em fotografias.
03. Em descidas e subidas íngremes e/ou escorregadias, procure não agarrar em galhos, cipós, pequenas árvores, raízes ou pedras. As árvores de grande porte só devem servir de apoio quando certificado que estão bem rígidas e oferecem total segurança. Fique atento à presença de animais que facilmente podem se camuflar em troncos, galhos e folhas de árvore, como lagartos, cobras e aranhas.
04. Nunca mergulhe de cabeça em cachoeiras, rios e córregos. Ao atravessar cursos d`água, sempre faça um reconhecimento da profundidade do local. Uma dica é utilizar, quando possível, varas para tocar o fundo do rio ou lago à procura de pedras e buracos.
05. Exercícios de alongamento ajudam a evitar lesões e dores musculares, por isso nunca deixe de alongar antes e depois das caminhadas. Quando a trilha for de longo curso e apresentar desníveis acentuados, recomenda-se, ainda, alongar durante as paradas para descanso, lanche e/ou apreciação da paisagem.
06. A dificuldade da trilha faz parte do desafio de vivenciar a natureza. Cada pessoa, porém, tem um ritmo próprio e se esforçar de forma demasiada apenas para acompanhar o ritmo do grupo pode ser uma atitude equivocada. Em caso de cansaço extremo, dores musculares, tonteira ou qualquer sintoma de mal estar, avise imediatamente ao líder do grupo ou à pessoa mais próxima a você.
ORIENTAÇÕES DE CONDUTA
01. Respeite os habitantes locais, seus valores, crenças e costumes. A Cadeia do Espinhaço resguarda ambientes de natureza selvagem e várias comunidades tradicionais, por isso, nunca tenha atitudes que possam impactar negativamente o modo de vida dessas populações.
02. Traga sempre de volta o lixo que produzir e que, porventura, encontrar no caminho. Nas áreas de caminhada, a coleta de lixo geralmente é escassa, por isso a proteção desses lugares depende essencialmente do comportamento dos visitantes.
03. Não queime nem enterre os resíduos produzidos. Além de prejudicar a fertilidade do solo, as embalagens podem não queimar completamente e, ainda, ocasionar um foco de incêndio. Saiba também que, à procura de alimentos, animais podem cavar e atingir o lixo, espalhando-o ou até mesmo ingerindo-o.
04. Ao deixar uma área de descanso ou contemplação, remova todas as evidências de sua passagem e, se possível, deixe o lugar ainda mais limpo do que você encontrou.
05. Familiarize-se com o meio ambiente e respeite sempre as regras e hábitos locais. Ao adentrar em uma reserva ou Unidade de Conservação esteja ciente dos regulamentos e horários, assim como da necessidade de solicitar permissões especiais para acesso a determinadas trilhas e áreas restritas.
06. Aproveite ao máximo a oportunidade de estar em contato com a natureza e caminhe em harmonia com o ambiente, o que inclui um bom relacionamento com os demais caminhantes e com os habitantes da região. Uma relação mais profunda com o meio natural implica em apreciar os detalhes da flora local e estar atento ao canto dos pássaros e aos sons do vento, das águas e das montanhas do Espinhaço.